Planeta dos Macacos – Do Livro ao Motion Capture

O PLANETA DOS MACACOS: Já pelo nome podemos entender que estamos em um lugar que não nos pertence, não somos os seres dominantes e nem a raça mais evoluída. O planeta pertence a eles, os macacos. E os primatas somos nós.

 

O LIVRO

No livro, escrito pelo francês Pierre Boulle em 1963 (o mesmo autor de A Ponte do Rio Kwai) temos como fio condutor a viagem no espaço-tempo.

No conto, que se passa no ano de 2.500, um cientista renomado explica para seu amigo repórter sobre a façanha que irão realizar juntos, o intuito é que o repórter esteja presente em toda a viagem para relatar as descobertas que terão quando chegarem em um planeta que orbita a estrela Betelgeuse, localizada a mais de 300 anos-luz da Terra. A explicação dada no primeiro capítulo do livro já nos mostra a grande merda que vai dar, quando o cientista Antelle cita a lei do Espaço-Tempo e sua relatividade durante a viagem, informando à Ulysses sobre o sacrifício que estavam prestes a fazer, pois apenas nos dois anos que levaria a jornada dentro da nave, se passaria centenas de anos na Terra.

E todos nós já sabemos que o tal Planeta dos Macacos é, na verdade, o futuro de uma Terra que perdeu a sanidade. Mas esqueça a Estátua da Liberdade do primeiro filme e a conspiração feita pela governança símia, no livro é explicado de forma muito mais sinistra e atormentadora sobre o que aconteceu nesse intervalo de mais de mil anos.

O livro ,em si, é um protesto sobre os teste em animais e a exploração deles, feitos pelas industrias químicas, cosméticas, farmacêuticas e pesquisas cientificas. A ideia do autor é estarmos na pele desses animais e vivendo suas experiências, enquanto somo feitos de cobaias e escravos, ou atrações circenses quando considerados muito espertos. O livro traz uma leitura de muito fácil compreensão e bastante simples. Disponível à venda nas melhores livrarias e distribuída atualmente pela Editora Aleph (essa foi de cortesia, sem custo, em Aleph. Na próxima a gente combina o cachê antes. Grande abraço!)

Pierre Boulle vendeu os direitos para um possível filme em 1064, apenas um ano depois do lançamento do livro. Quando deram a ideia da Estatua da Liberdade, ele não concordou e por isso não colaborou na continuação dos filmes.

 

A PENTALOGIA

Na primeira sequência de filmes (5 ao todo, dirigido inicialmente por Franklin J. Schaffner, sendo lançado quase um filme por ano de 1968 a 1073), pode até iniciar parecido com o livro, com a mesma intenção e argumento, mas a história desvia de uma maneira incrível ao longo dos filmes que o seguem, onde temos paradoxos temporais, efeitos borboletas, alienígenas, viagens no tempo, nas dimensões e na falta de sentido em que chegamos ao quinto e último filme.

A primícia ainda está lá, o macaco – ou qualquer outro animal – é inferior, submisso e sujeitos a obedecer ordens, e nós somos os seres estúpidos e egoístas que os domam até o momento onde surge o primeiro a se levantar e dizer “NÃO”, seu nome era Caesar.

A série de filmes é considerada uma obra clássica da ficção científica, referência e inspiração para todo e qualquer tipo de obra que aborda temas que vão desde viagens espaciais, explorações interplanetárias e medo de desconhecido, até exploração do mais fraco, discriminação racial e social ou escravidão. Vale a pena falarmos mais sobre esses filmes da primeira geração sci-fi, mas talvez em uma próxima matéria.

“O que vocês fizeram?” Um dos maiores plot twist da historia do cinema, quando Taylor descobre que o local em que se encontra é na verdade o seu próprio planeta em um futuro onde o humano perdeu a racionalidade.

 

O PRIMEIRO REMAKE

Em 2001, temos Tim Burton, divisor de sentimentos pelos integrantes do ColunaGeek, recriando o filme de uma maneira autoral. Pois no planeta em que se chega, nos encontramos ainda numa época “passada”, onde se usam armaduras e não há a existência de armas de fogo ainda.

Aqui, temos um final divergente, muitas vezes debochado e sempre que possível difamado (injustamente, na minha opinião) mas que traz um sentido mais lógico, já que colocamos um ponto final e eliminamos 4 filmes que não precisariam ter existido. Um conceito mais próximo do que o autor do livro teve em mente.

Esse foi o primeiro de muitos trabalhos da atriz Helena Bohan Carter com Burton e (talvez) o início do romance que os uniu durante alguns anos.

Nada a mais sobre o filme, além de todo o alvoroço gerado em torno dele e sua crítica muito negativa.

 

Todo o tema que Burton quis criar foi baseado na era imperial greco-romada. E por conta disso, recebeu diversas indicações de Melhor Figurino e Melhor Maquiagem.

 

EDIÇÃO DEFINITIVA

E, finalmente, a última trilogia. Que resolve não usar o conceito de Adaptação e sim de Base sobre o trabalho já escrito e publicado. Isso faz muita diferença quando você quer alterar parte da narrativa do livro, modificar papéis de personagens e alterar resultado apresentados como absolutos na obra que é usada.

Planeta dos Macacos: A Origem nos mostra o que acontecerá nesses mil anos em que o astronauta se perde no espaço e encontra um planeta, sendo este o próprio futuro longínquo de seu local de origem. Onde pode ser ligado, tanto ao filme de 68 quanto ao livro de 63, com uma menção na página de um jornal, quase imperceptível, no fim do filme. Na capa em que se lê “Perdido no Espaço?” Ali, mostra que, o que está para acontecer nos próximos dois filmes, será perdido da vista de uma pequena nave que vaga ao além e que, infelizmente, quando perceber será tarde demais.

Cenas do filmes que fazem referencia a equipe de astronautas que protagoniza a jornada ao Planeta dos Macacos

Na trilogia, temos a resposta sobre a inteligência repentina dos símios e como originou seu conceito de civilização. Ao mesmo tempo, podemos perceber em que momento perdemos o direito de domínio e começamos aos atos de discórdia seguida de submissão, tanto com os macacos quanto com os humanos. O diálogo “Macaco não mata macaco / Você não é macaco” (PDM: O Confronto) nos faz refletir sobre o que faz de nós, então, sermos humanos?

E, finalmente, terminamos com o por que da irracionalidade do homem, dando justificativa ao senso de primitivo que acompanhamos com as duas obras da década de 60. Um final merecido, épico, digno e que será lembrado nos corações de quem acompanhou ao longo de seis anos.

Um simbolo é relacionado à Ceasar, um desenho da janela do sótão da sua primeira casa. Ele acaba apresentando conforto, liderança e a revolução que podem ser dispostas a quem decidir seguir este líder.

 

ANDY SERKIS E UMA INDIGNAÇÃO

Algo que ajudou a revolucionar a indústria do cinema foi a computação gráfica, transformando o impossível e inimaginável em forma, cor, tamanho, textura e som. E Andy FUNKIG Serkis tem total responsabilidade pelo que tem ocorrido desde o início do segundo milênio. Esse excelente ator, trabalhou quase sempre em personagens feitos por captura de movimentos. Smeagol, do Senhor dos Anéis; King Kong; capitão Haddock ,de Tim Tim e General Snoke, de Star Wars foram alguns dos personagem em que ele emprestou sua interpretação e atuação para dar vida através de computação gráfica. Infelizmente, ainda não foi indicado em algumas premiações, sua dedicação só foi reconhecida e prestigiada no Critic’s Choice Award, onde ganhou em 2003 o prêmio de Melhor Atuação Digital em Senhor dos Anéis: As duas Torres e no Empire Award, onde ganhou o prêmio de Melhor Ator em PDM: O Confronto.

A Academia de Cinema, que promove a premiação do Oscar, não voltou seus olhos ao Andy e seu Caesar, que poderíamos ter ganho, com folga, o prêmio de Melhores Efeitos Visuais. Blade Runner 2049 foi um excelente filme e se esforçou muito para fazer jus a sua linhagem, mas os detalhes de pele, pelo, olhos, expressões e sobreposição de Caesar em Serkis não poderá jamais ser comparado com nenhum trabalho até hoje feito.

Escrevam o que digo (se bem que eu acabei de fazer isso):
“Num futuro não muito distante, Andy Serkis terá a chance de receber um Oscar Honorário por toda a sua contribuição em transformar uma CGI em algo que acreditamos ser real.

Rafael Peregrino

Musica, filmes e livros me definem. Um violão, um café, um papel e uma caneta me descrevem. Mas quem eu amo pode sempre dizer mais de mim Do que eu mesmo