George Lucas em Animação da Disney: de roteirista e produtor a Rei das Fadas e de nossos corações <3

Hey, Geeks! Sabem o que eu acho de mais magicamente estranhíssimo nesse filme? Flopou. Isso mesmo! Vejam bem… Uma animação distribuída pela Disney. Com história escrita por George Lucas. F-L-O-P-O-U! Comassiiiiim?! Me digam que estão tão chocados quanto eu, por favor…

Pois é… MAS, nem tudo está perdido, meus queridos. Vocês não precisam mais se preocupar em morrer sem conhecer essa obra-prima de 2015. Afinal, modéstia à parte, vocês têm a mim agora. Não é mesmo? (rs)

Vamos ao que interessa?! Então tá bom. Magia Estranha é “Uma fábula musical inspirada em Sonho de Uma Noite de Verão. A história de um grupo de duendes, elfos, fadas e diabinhos em suas desventuras para conseguir uma poderosa poção. Embalado por canções pop das últimas seis décadas”, segundo a Wikipédia.

Ouso discordar da frase ao meio. Eu diria que está mais para a história de como dois reinos de criaturas mágicas, separados por mundos completamente distintos – mesmo que um ao lado do outro –, se uniram por um propósito em comum: o AMOR. Seja pela paixão ou pelo ódio. E descobriram que, no fim das contas, todo mundo merece ser amado.

Aliás, acho um absurdo que a palavra “amor” não seja citada uma única vez nessa sinopse fajuta! Particularmente, considero “Magia Estranha” um dos melhores filmes de amor em sua forma mais pura. Isso porque, podemos não saber explicar a essência desse sentimento tão profundo em palavras, contudo, de uma coisa todos sabemos: o amor é estranho.

Sobre a “poderosa poção”? Era feita pela Fada Açucarada com uma pétala de flor de prímula, que brotava e florescia na fronteira entre o Reino das Fadas e a Floresta Sombria. Para que servia? Conquistar o amante desejado, claro! Entretanto, havia um problema para conseguí-la. A fada foi presa pelo Rei do Pântano, Bog. Que também mandava seus servos podarem todas as flores.

Os opostos se atraem?

Por amor, permita-se mergulhar mais fundo no desconhecido.

Como já sabemos, há dois reinos aparentemente diferentes e opostos, certo? Porém, basta se aprofundar, e não será difícil perceber suas semelhanças. Além de merecerem ser amados, todos também desejam ser amados! E alguns até desejam que todos sejam amados… Como Imp, esse carinha aqui:

Adivinhem quem mais acredita no amor, ao contrário do filho e à favor de Imp, e deseja que ele se case – assim como o Rei das Fadas deseja para sua filha? Griselda, a mãe de Bog! E, sem querer entregar o ouro logo de cara, digamos que ambos tiveram o que desejavam. Talvez, não como um deles imaginava…

Falei demais? OPA!

Todavia, ao longo da história presenciamos diversas situações de traição e rejeição, como na vida real mesmo. Afinal, na busca pelo final de Conto de Fadas, todos nós passamos por poucas e boas até o “Felizes Para Sempre”. Se é que algum dia ele chega de verdade, né não? Complicado esse negócio…

Traição e Rejeição

Nunca, jamais, em hipótese alguma aceite migalhas de amor.

Logo de início, a princesa Marianne sofre uma desilusão amorosa, no dia de seu casamento. Ela é surpreendida ao ver o galã Roland, até então seu noivo, com outra. (Calma, calma! Não era essa aí da imagem acima. Pelo menos não ainda…) Acontece que claramente o rapaz não a ama. Apenas quer ser rei para ter um exército e poder. Nada melhor do que conquistando a herdeira ao trono!

De qualquer forma, o que temos depois disso é uma reação bastante esperada; ela desiste do amor. Passa a ter um estilo mais pesado e aprende a lutar vendada com espadas – igual ao Luke Skywalker em Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança. Portanto, ela se transforma da doce fadinha apaixonada na gótica fadona fodona independente. (Perdoem-me o péssimo trocadilho rs).

 

“I don’t know. I was expeting… MORE”.

(Okay, okay! Prometo melhorar.) Enfim… Aqui já podemos ver, na prática, tanto traição quanto rejeição no próprio Reino das Fadas onde, na teoria, tudo deveria ser bom e correto. Traição por parte dele, que gera rejeição por parte dela, quando mais tarde ele tenta se redimir num baile. Baile cujo ela só compareceu por insistência do pai, para tomar conta da irmã que flerta demais.

“Friendzone”

Dê ao menos uma chance para aquele que te ama de verdade.

Falando um pouco mais em rejeição… Antes do baile, somos apresentados à outra relação: Sunny e Dawn. Ele é o melhor amigo dela e, claro, apaixonado pela mesma. Ela, irmã de Marianne, é a doida que flerta com todos e NÃO se dá conta de que “o cara certo” está bem embaixo de seu nariz!

Tipo, literalmente, olha pra isso. Ele tá mesmo debaixo do nariz dela. CÊS TÃO ME ENTENDENDO?!

Mais a frente, Roland convence Sunny a entrar na Floresta Sombria em busca da poção do amor. Assim, ambos poderiam utilizá-la para [re]conquistar suas amadas. O elfo até consegue ir e voltar a salvo, joga a poção em Dawn e, justamente nessa hora, o Rei Bog aparece e a sequestra.

O vilão afirma que só devolverá a garota se levarem a poção a ele até o “pôr-da-lua”, caso contrário, todos seriam os próximos. Seria tudo muito fácil, era só dar a poção a ele, óbvio. Isso se Imp não a tivesse roubado no meio da confusão, e iniciado seu plano de jogá-la por toda a Floresta Sombria.

Chegando à metade do filme, são três grupos em prol do resgate da princesa:
  1. Marianne, que apesar da tentativa falha de seu pai de impedí-la, é a primeira a sair voando, pois, segundo ela, é a única realmente capaz de salvar a irmã;
  2. Roland, que parte em marcha com “seu” exército, afirmando ao Rei das Fadas que traria de volta as duas, menosprezando a força da ex e mostrando serviço;
  3. Sunny, que após convocar a todos que o julgavam pelo ocorrido a ajudá-lo, é acompanhado por Pare, um grandão que foi “empurrado” pela turma dos elfos.

Quem diria que esse carinha causaria tanta confusão…

Paixão e Ódio

Não deixe a dor te impedir de amar e ser amado novamente.

Não somente a partir daí, mas desde o início, podemos notar algumas características que definem a paixão e o ódio. O primeiro, como um sentimento que nos deixa bobos, distraídos, maleáveis. O segundo, como um sentimento que nos gera mágoa, vergonha, orgulho. O que ocorre agora é que, ao conhecermos mais da Floresta Sombria, tudo isso fica ainda mais visível.

Espera aí, para tudo! O GIF acima pode ter causado confusão, né? Eu sei, relaxa, e vamos lá… As coisas ficam ainda mais interessantes aqui, devido a um detalhe que não contei antes; a primeira pessoa que Dawn deveria ver era Sunny. Mas, ao ser raptada com um saco, ela não vê ninguém. E quem está na frente dela quando é tirada da escuridão? Rei Bog, e ela se apaixona!

Rindo de nervoso…

Ela é a personificação da paixão, e ele começa uma jornada entre o ódio e a paixão. O primeiro, de quem tem uma história escondida de rejeição – sobre a qual a Fada Açucarada é proibida de falar. O segundo, de quem conhecerá ali o amor verdadeiro, porém… Antes disso, ele precisará com urgência do antídoto para o amor falso, que conseguiu trancar numa cela.

Enquanto isso, nos arredores da Floresta Sombria, estão nossos grupos de heróis, e todas as criaturas estão se apaixonando, por conta da poção.
  • Marianne chega ao castelo e começa uma batalha muito interessante contra o Rei do Pântano, Bog. É quando começamos a perceber uma química entre os dois, ambos revoltados com o amor. Eles lutam com ódio, e aos poucos podemos ver a paixão tomando conta de toda a situação. A princesa e o vilão!

  • Roland encontra Sunny no caminho, que conseguiu parar Imp com a ajuda de um lagarto fêmea – Lizzie, que se apaixonou por ele quando caiu no feitiço da poção. Pare também se apaixonou por ele, quando se beijaram acidentalmente amarrados a uma flor – sim, temos um homem apaixonado por um homem aqui!

O amor é uma droga!

O remédio para os seus medos sempre será as suas verdades.

Voltando ao antídoto… “Qual seria a única coisa mais poderosa do que a poção do amor?”, foi a charada feita pela Fada Açucarada à Marianne e ao Bog. E após muito tempo em que tentaram desvendá-la sem êxito, veio a revelação da própria fada que não aguentava mais aquela agonia.

Para isso, ela contou a história que era proibida de falar sobre. O Rei do Pântano falhou ao usar a poderosa poção uma vez e achou que sua aparência era a culpada. O que ele não sabia, por nunca escutá-la, era que a amante desejada já estava apaixonada por outra pessoa antes.

Ou seja, a única coisa mais poderosa do que a poção é o amor verdadeiro! E, além de estranho, o amor por si só também é uma droga. Tanto por seus fatores hormonais quanto por agirmos diferente perante a ele. No caso, seria o remédio capaz de curar Dawn e outros ali presentes. Em outros, pode até se tonar um vício ao ponto de haver abstinência em situação de falta do mesmo.

 

Amor (V) ou (F)

Espelhe-se no outro para olhar o que te machuca e se cuidar.

Descoberto o antídoto, Marianne acredita que não há cura para sua irmã, que nunca se apaixonou verdadeiramente por ninguém. Ela e Bog desabafam sobre o passado do qual tinham vergonha e que os tornaram orgulhosos por conta da mágoa. Até ali, eles achavam que deviam manter a guarda alta e nunca confiar em ninguém. Agora, apenas foi diferente…

Parece que nada mais pode dar errado entre eles, já superaram alguns limites ao conversarem abertamente, e para se acalmarem ainda mais foram dar uma volta pelo reino. A mensagem de que há luzes até mesmo onde menos imaginamos é passada nitidamente ao nos mostrarem detalhes das sombras que não conhecíamos antes.

Infelizmente, ao retornarem para perto do castelo, o que ele vê não o agrada nem um pouco: Roland estava chegando com o exército. Bog se sente enganado por Marianne, como se ela estivesse apenas o distraindo para resgatarem Dawn. Daquela distância, não dava para enxergar a poção recuperada por Sunny e Pare, que também estavam lá.

Afinal, o amor de Marianne por Bog era VERDADEIRO ou FALSO?!

Todos conhecemos o velho clichê do príncipe que salva a princesa, certo? Não é mesmo esse o caso, e já deu para perceber. Se não fosse Roland, teríamos um desfecho muito mais rápido e tranquilo. A questão é que vai piorar, o “príncipe” só atrapalha! E isso é ótimo, o papel dele é esse mesmo; causar problema e dar o toque-final de emoção.

Aparentemente, ao invés de apenas resolver tudo com o menor dano possível – levando todos a salvo para o Reino das Fadas –, o rapaz quer destruir o reino da Floresta Sombria. O que ele não esperava era que Marianne se apaixonasse por Bog e vice-versa, provocando um espírito de união entre os dois reinos, e tivesse de enfrentá-la também.

“Tea Blend” [The End]

Entre tantas confusões, o castelo começa a ser derrubado abaixo, e chega um dado momento em que o Rei do Pântano parecia morto ao cair de um abismo. As irmãs-fadas – uma apaixonada e outra enfeitiçada – lamentam pelo amado, e quando Sunny consola Dawn ela percebe que o ama e é curada da poção.

Bog reaparece voando, apenas com o braço machucado, e sua mãe o puxa até Marianne para que se acertassem, quando Roland reaparece também. Ele consegue jogar a poção nela, o Rei das Fadas que acaba de surgir se assusta e a Fada Açucarada acalma Bog, Marianne finge cair no feitiço e o derrota.

Com um soco, o “príncipe” cai com a poção que é despejada em seu rosto, e por isso ao chegar lá em baixo se apaixona por aquele inseto lá do começo. Nosso casal, Bog e Marianne, finalmente se forma após muita cantoria melosa de todos. Como são diferentes, se declaram com uma música mais radical.

Acredito que – após exatas 2.000 palavras – fica bastante claro o porquê de George Lucas ser para além de Rei das Fadas, também de meu <3.

Agora é com vocês, comentem aqui embaixo: por que o diretor, roteirista e produtor seria (ou não) rei de vossos corações também? E até+! {}

STRANGE MAGIC (2015)
Direção: Gary Rydstrom
Roteiro: George Lucas, Gary Rydstrom, David Berenbaum, Irene Mecchi
Nota: 5 MOTHER FUCKERS

Lana Bella

Apenas uma jovem adulta de alma intensa, livre, transparente e autêntica - apaixonada por si e por tudo que o mundo ainda possui a me oferecer. Nascida em São Paulo, aos 19 anos luto a cada dia para ser minha melhor versão. Encontrei na escrita uma maneira de organizar meus pensamentos, aquietar meu coração e conhecer a mim mesma. Correndo sempre atrás do sonho de ajudar o próximo a estar bem consigo mesmo em toda sua complexidade do ser e de ser humano.