Senna – O Super Herói do Brasil

Todos que acompanham o Coluna Geek estão cientes que nosso conteúdo é de caráter POP. Games, Quadrinhos, Filmes, Tecnologia, História e Ciência. Em todas vértebras que constituem as ideias de nossos colunistas, as batalhas entre super heróis e seus vilões podem ser uma das bases de conteúdo que temos.

Hoje não têm Marvel nem DC. Falaremos de um super herói de verdade.

Falaremos de Ayrton Senna.

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Muito me vem à mente sobre o piloto brasileiro e sua ligação ao heroísmo. Vejo que, se tivéssemos a oportunidade de transformar uma história real em ficção na qual o protagonista recebesse super poderes e salvasse a humanidade de um mal maior, Ayrton teria TODOS os requisitos para receber esse mérito. Minha justificativa para isso será apresentada neste post. Aqui mostrarei minha admiração e reconhecimento, admitindo que nenhum outro brasileiro, até o momento, pode ocupar o lugar de defensor dos oprimidos e símbolo de esperança aos necessitados. Isso inclui participantes de reality shows de confinamento e monitoramento 24h também.

 

A JORNADA DO HERÓI

A narrativa de um herói, contada por completo, pode ser dividida em 12 partes, onde podemos enxergar de certa maneira, o trajeto de Senna.

O  Chamado à Aventura veio logo cedo, quando o garoto de 4 anos ganha de presente do seu pai, um Kart de madeira, o metalúrgico Milton não imaginava que estava traçando o destino de seu filho naquele momento.

A Recusa do Chamado está quando, após terminar o colegial com muito custo, pois não era um aluno exemplar, Ayrton entrou para a faculdade de Administração, esta fase durou apenas um mês, foi interrompida pela oportunidade de treinar e competir na Europa.

O Encontro com Mentor aconteceu em 76. Novamente com a ajuda do pai, o jovem piloto de Kart conheceu seu ídolo, Emerson Fittipaldi e recebeu instruções para o caminho rumo à F1. “Penso no Ayrton sempre que vou a Interlagos, especialmente porque foi em Interlagos que o encontrei pela primeira vez, em 1976, quando ele tinha apenas 16 anos. Eu estava testando o meu carro de Fórmula 1 da Copersucar, e ele e o pai dele, Milton, estavam assistindo. Naquele dia, Ayrton competiu com o seu kart no kartódromo de Interlagos, ao lado do autódromo, e como era costumeiro, venceu a prova. Ele estava ganhando tudo no kartismo brasileiro naquela época, e por isso eu já tinha ouvido tudo sobre ele.” Conta Emerson.

Os próximos anos de Senna podem ser considerados a Travessia do Primeiro Limiar. Onde ele terminou as temporadas de 79 e 80 de Kart em segundo lugar, ao invés de comemorar, lamentou-se. Em 1981, na F-1600, ele pilota seu primeiro “amarelinho” e ganha doze corridas e três títulos ingleses em um único ano. Ele sai da equipe pois o reconhecimento das vitórias é dada ao carro e não ao piloto. Em 83, já na Fórmula 3, Senna ganha 3 vezes em Silverstone e ali ganha seu primeiro nome de Super Herói, é criado o SilvaStone.

Nenhum adversário foi tão implacável quanto ele mesmo, Senna se superava e batia recordes, até os dele mesmo. A partir de 1985 ele construiu seus Teste, Aliados e Inimigos, pilotando a inesquecível Lotus preta, ele iniciou suas séries de Pole Position no Grande Prêmio de Portugal. Na Renault, ele sentiu de novo o prazer de largar com a pista livre à frente, que foi uma característica de sua carreira desde os tempos do Kart. Tomou tanto gosto pela coisa que, no mesmo ano, conseguiu mais seis. E continuou na luta, tirando da máquina o máximo de podia em cada um dos circuitos até que, em 1988 e 1989 tornou quase desnecessária a briga dá véspera dos Grandes Prêmios, alcançando 13 Poles em cada uma das temporadas.

A Caverna Escura de Senna era, com certeza, a chuva no GP de Portugal, na primeira vitória com Poli, ele percorreu quase 300 km em 2 horas, debaixo de chuva intensa. A partir dali, nosso brasileiro seria conhecido como O Rei da Chuva, sendo IMPLACÁVEL na pista molhada, sua audácia e perseverança eram notáveis e ganhar nestas condições se tornou o seu Grande Poder.

A sua Provação Suprema foi em 1989, em Suzuka. Os pilotos da McLaren haviam chegado ao Japão disputando o título mundial palmo a palmo. Mas Alain Prost estava endiabrado naquele dia. Pulou na frente na largada, resistiu a uma perseguição implacável de Senna e não teve dúvidas em fechar a porta para o brasileiro, foi no finalzinho, quando seria ultrapassado, numa manobra desesperada de Senna. Ambos para fora da pista, Prost se julgava campeão e desceu do carro. Mas Senna não desistia da luta tão fácil e continuou com seu percurso, recuperando a posição e chegando em primeiro. Depois acabou sendo desclassificado porque seu carro fora empurrado para voltar à pista após o acidente.

A Recompensa disso tudo foi seu Tri Campeonato, pilotando um McLaren-Honda, todos eles no autódromo de Suzuka, no Japão. O primeiro em 88, dando um show na chuva, vencendo 16 Grandes Prêmios e conquistando 13 Poles; De forma polêmica, o segundo título veio em 1990, jogando seu carro contra a Ferrari do francês Alain Prost, se vingando da situação de 89, citado acima, e nesta temporada ele conseguiu seis vitórias e 10 Poles; O terceiro campeonato foi mais fácil, em 1991, vencendo os quatro primeiro GP’s e só administrando até o fim. Na última corrida, na última volta, Senna deixa seu amigo Gerhard Berger ultrapassá-lo para vencer sua primeira corrida na McLaren. Neste ano, Ganhou 7 vezes, das 8 Poles.

O Caminho de Volta foi no ano do tricampeonato, Ayrton Senna vence Interlagos, em uma de suas vitórias mais emocionantes. Choveu no final, seu carro estava APENAS com a sexta marcha e, após receber a bandeirada, para o carro e desmaia.

Infelizmente, sua jornada acaba por aí, Pois não temos A Ressurreição de nosso herói, e nem O Retorno com Elixir para trazê-lo de volta. Senna consegue, após 10 anos de sonho, entrar para a Williams-Renault na temporada de 1994. Aqui, ele conquistou 3 Poles e se acidentou em todas as corridas, a última foi fatal.

 

O SÍMBOLO

Todo super herói deve ser um símbolo, tanto para aqueles que acreditam em sua causa, quanto para os que o desafia. Ayrton Senna levava em seu carro a bravura de um guerreiro, ele enfrentava seus oponente de maneira, muitas vezes, inadimplente. Segurava com unhas e dentes sua colocação e ultrapassava, nem que fosse por cima, os que não resistiam a sua ambição. Para Senna era vencer ou vencer e assim ele ganhou muitos rivais, tanto os que atrapalhavam – quando se tornavam retardatários – quanto os que o incomodavam – por resistir a sua força e determinação – . Mas para os que assistiam de longe (milhas e milhas de distância) Ayrton era um símbolo muito maior e simplório, ao mesmo tempo. Ele era Ayrton Senna DA SILVA, brasileiro. E não houve brasileiro que trouxesse uma bagagem de superação e dedicação, com tantos obstáculos na sua jornada quanto ele, isso nos mostrou o verdadeiro sangue Tupiniquim, “Brasileiro só aceita título se for de campeão. Eu sou brasileiro”

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O amor de Senna estava também no futebol, Fiel torcedor do Corinthians.

 

RIVAIS

Como todo herói, Senna também tinha seus antagonistas e Alain Prost foi seu “arqui-inimigo” Nº1. Nas 161 corridas disputadas, Senna conquistou 41 vitórias, só ficou atrás de Prost, que ficou com 51. A disputa entre os dois era pública e sem pudor, um chegou a jogar o outro fora da pista em 88  e 89 e o francês, após dividir a McLaren com o brasileiro, vai para a italiana Ferrari por dois anos e entra em 1993 para a Willian, atrasando por mais um ano a entrada de Senna na equipe alemã. Com sua saída no final da temporada de 93, nosso herói veste o então sonhado uniforme azul.

Não somente Prost, mas também Nelson Piquet e Damon Hill eram um grande rivais de Ayrton, se enfrentando a mais de 240 km/h em busca de um objetivo onde somente um conquistaria. Por algumas desavenças, até o alemão Schumacher levou uns soquinhos na cara, em 1992 de Ayrton. Apesar de todo o ódio carregado não somente por esses, qualquer piloto de 1990 pra cá admite Senna como o  MELHOR Piloto de F1. Para eles, Senna também foi um herói.

 

SUPER PODER

Fosse no asfalto, no mar ou nos ares, Senna almejava sempre a velocidade. Ele chegou a pilotar um caça Mirage. Em Mônaco, era comum encontrar Senna pilotando sua Ducati Monster, a marca chegou a homenageá-lo em 2013, com a 1199 S Senna. A própria cidade de Mônaco pode ser considerada seu grande especial, a primeira grande aparição deste feito foi em 1984, onde só nação conquistou o primeiro lugar porque a corrida foi encerrada no momento que que ultrapassava Alain Prost. Mas debaixo de chuva, ele mostrou quem era, ultrapassando 11 corredores. Em dez anos de carreira, Senna venceu 6 vezes em Mônaco, as cinco últimas consecutivas, superando a marca de Graham Hill, que era chamado de Mister Mônaco. Ele não teve tempo de chegar a Monte Carlo para a próxima etapa do Mundial de 1994, uma prova onde tinha esperança de reduzir a diferença  de pontos para Michael Schumacher.

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Senna com sua namorada, Adriane Galisteu. Nas ruas de Mônaco .

UNIFORME

Não importa, todo super herói precisa ter seu uniforme, um traje para que as pessoas olhem e saibam quem é, algo que pode não mostrar seu rosto, mas mostrará o valor de tudo que está em jogo quando se o veste.

Ayrton passou por quatro grandes companhias e elas sempre respeitaram sua máscara, e ela não tampava seu rosto, mas mostrasse que quem dominava aquelas máquinas, aqueles demônios, era alguém cujo o sangue era brasileiro. Ayrton morreu instantaneamente no dia 1º de maio de 1994, vestindo seu capacete. Ele permaneceu com seu dono até na morte, sendo carregado sobre seu caixão como símbolo da batalha que lutou e das vitórias que conquistou. Não importa as cores das marcas que ele representava, seu capacete era amarelo, para que todos soubessem que estava vindo por seus retrovisores.

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Amarelinho, o famoso capacete de Senna chegou a virar até personagem das HQ do Senninha. Após o falecimento do piloto na vida real, o capacete recebe uma espécie de entidade na ficção, ajudando o garotinho a superar suas dificuldades. Ele se intitula de Meu Herói.

 

O LEGADO

Todo super herói tem seu legado. Um dia a batalha é vencida, a guerra acaba e o herói volta para casa e deixa que seu exemplo sirva para aqueles que estão iniciando suas jornadas. Ayrton Senna acabou a sua guerra naquele domingo, voltou para casa em um silêncio mortuário e não mais abriu os olhos em solo nacional. Contudo, ele deixou alguém que se preocupasse com seu nome, Viviane Senna inaugurou em 20 de novembro de 1994 o Instituto Ayrton Senna, uma ONG que pudesse diminuir a desigualdade social, criando oportunidades de desenvolvimento humano a crianças e jovens por meio da educação. Senna acreditava que “Se quisermos modificar alguma coisa, é pelas crianças que devemos começar, por meio da educação”. Senna também criou o Senninha, um personagem em quadrinhos ao estilo “Turma da Mônica” onde, além de estudar duro, o personagem se dedicava para realizar seu maior sonho.

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Anualmente a organização capacita 60 mil educadores e seus programas beneficiam diretamente cerca de 2 milhões de alunos em mais de 1.300 municípios nas diversas regiões do Brasil.

 

Ayrton Senna saiu da vida e entrou para a história. Ele agora é mito, intocável. E esse mito vivera com toda força de seu talento, para sempre. Nunca mais seus números serão modificados, Nunca mais seus títulos serão roubados. Nunca mais alguém irá ultrapassá-lo.

Ele morreu enquanto estava em primeiro lugar, à frente de todos, ao seu estilo.

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Se Ayrton era superior como mortal, Suas Poles, largadas, ultrapassagens, vitórias, títulos e recordes ficaram gravados na história e nenhum acidente estúpido será capaz de tocá-los, maculá-los. A vida de Ayrton foi completa, ele ainda queria fazer muito nas pistas e na vida, mas não deu. E agora vive mais forte do que nunca.

 

“É preciso fazer algo de especial. Todo ano alguém ganha um título. Eu quero ir além disso.”

Ayrton Senna (o super herói) do Brasil.

Rafael Peregrino

Musica, filmes e livros me definem. Um violão, um café, um papel e uma caneta me descrevem. Mas quem eu amo pode sempre dizer mais de mim Do que eu mesmo

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