A morte de Adolf Hitler

“Exatos 73 anos atrás, Adolf Hitler se matava dentro do seu indestrutível Bunker na cidade de Berlim, capital do Terceiro Reich. Hitler colocava um ponto final no sonho de ter um império de 1.000 anos. Todos seus planos, obsessões, glórias e sucesso, foram extintos no dia 30 de Abril de 1945.”

A vida não perdoa nenhuma fraqueza

A decisão de pôr fim a tudo, foi tomada na noite do dia 28 para o dia 29 de abril. Pouco antes da meia noite, em uma conversa com o General von Greim, Hitler foi interrompido por seu camareiro, Heinz Linge, que lhe entregou um telefonema da Reuter anunciando que o Reichsführer SS Heinrich Himmler entrará em contato com o conde sueco Bernadotte para tratar de uma capitulação no Oeste.

Adolf Hitler e Heinrich Himmler

A emoção causada por tal notícia foi mais violenta do que qualquer um dos acessos sofridos por ele nas últimas semanas. Hitler sempre achara que Göring era um oportunista e corrupto, daí a traição do Reichsmarschall se constituísse numa decepção já prevista. Em troca, o comportamento de Himmler, que sempre tivera por lema a lealdade e sempre se gabara de sua incorruptibilidade, representava a quebra de um princípio. Para Hitler, esse era o golpe mais terrível que poderia ter imaginado. Hitler se levantou depois de uma crise de fúria insensata e se retirou da sala com Goebbels e Bormann.

Da esquerda para direita temos, Joseph Goebbels, Adolf Hitler e Martin Bormann

Hitler imediatamente foi traçar a vingança contra Himmler, submeteu Hermann Fegelein a um interrogatório e em seguida mandou fuzilá-lo no jardim da chancelaria. Depois, mandou chamar Greim e lhe ordenou que se arriscasse a sair de Berlim a fim de prender Himmler. Não levava em consideração as objeções que lhe formulavam: “Um traidor não pode me suceder como Führer”, disse então. “Vigiai para que tal não aconteça.” Logo após, se dedicou a resolver assuntos pessoais.

O casamento com Eva Braun

Hitler ordenou que fosse preparado uma pequena sala de reuniões. O funcionário municipal Walter Wagner, que servia numa unidade da Volksturm estacionada na vizinhança, foi chamado para que celebrasse o casamento de Hitler com Eva Braun. Goebbels e Bormann serviram de suas testemunhas.

Adolf Hitler e Eva Braun

Tanto Hitler quanto Eva, solicitaram um casamento de guerra, por causa das circunstâncias excepcionais na qual estavam vivendo. Os dois declararam ser de descendência ariana pura e sem qualquer doença hereditária. Logo após Wagner, segundo testemunhas, dirigiu-se aos noivos e disse:

“Chego agora ao momento solene do encerramento desta cerimônia de casamento. Em presença das testemunhas pré-citadas, eu vos pergunto, meu Führer Adolf Hitler, aceitais tomar por esposa a Senhorita Eva Braun aqui presente. Se caso afirmativo, queira me responder sim.

Agora, eu lhe pergunto, Senhorita Eva Braun, se aceita tomar por esposo meu Führer Adolf Hitler aqui presente. Em caso afirmativo, queira me responder sim.

Os noivos tendo aquiescido, o casamento está feito e eu o declaro legalmente concluído.”

O testamento político e o pessoal

Enquanto o testamento político de Hitler refletia a pretensão de passar à posteridade, seu testamento pessoal era relativamente breve. Nele, se apresentava o filho do funcionário aduaneiro de Leonding que ele continuará a ser, apesar de todos os disfarces, de todo o empenho em escapar à sua origem:

“Embora eu pensasse, durante os anos de luta, em não poder assumir a responsabilidade de me casar, decidi agora, no final de minha carreira terrena, tomar por esposa a moça que. após anos de amizade fiel, veio espontaneamente compartilhar da minha sorte nesta cidade praticamente sitiada. De acordo com o seu desejo expresso, ela entrará comigo nos domínios da morte na qualidade de esposa. A morte compensará tudo isso que a minha tarefa a serviço do povo nos tem privado.

O que possuo, desde que tenha algum valor, ficará para o partido. Se este não existir mais, para o Estado. E, no caso de que o próprio Estado seja extinto, outra decisão de minha parte obviamente não seria mais necessária.

Eu jamais colecionei quadros, adquiridos ou reservados para mim no correr dos anos com um objetivo pessoal. Sempre os destinei a uma galeria de arte com a qual eu queria dotar minha cidade natal, Linz sobre o Danúbio. Minha aspiração mais sincera seria a de que tal ideia fosse concretizada. Nomeio executor testamentário a meu mais fiel companheiro do partido, Martin Bormann. Ele está capacitado a tomar todas as decisões finais e válidas. Também está autorizado a distribuir tudo o que possa ter valor afetivo, como lembrança pessoal, ou a destinar de meus bens a parte necessária à manutenção de um modesto padrão de vida burguês para meus irmãos e irmãs, assim como, e em especial, à mãe de minha esposa, e para todos os meus colaboradores e colaboradores devotos, que Martin conhece melhor do que ninguém. Entre esses colaboradores figuram, de modo muito especial, meu velho secretário, as secretarias, como a Sra. Winter e as outras que, durante todos esses anos, me ajudaram com o seu trabalho constante.

Eu mesmo e minha esposa escolhemos a morte, a fim de escapar à vergonha da deposição ou da rendição. É nosso desejo pessoal sermos incinerados logo após, no mesmo lugar onde durante doze anos eu tenho passado a maior parte de meus dias a serviço de meu povo.”

Os dois documentos foram assinados em 29 de abril, às 4 horas da manhã. Ficara decidido que seriam tiradas três cópias e no decorrer daquele mesmo dia, diversas providências foram tomadas para encaminha-los a destinos diversos fora do bunker. Um dos mensageiros era o Coronel von Below, o ajudante-de-campo de Hitler para a Luftwaffe, que entregou uma cópia do testamento ao General Keitel. Esta seria a derradeira mensagem de Hitler e tinha como fecho as seguintes frases bem características:

” O povo e a Wehrmacht tudo tem feito e sacrificado durante esse longo e interminável combate. Os sacrifícios tem sido imensos. Mas também se abusou muito da minha confiança. A deslealdade e a traição não tem deixado durante toda esta guerra de minar as forças da resistência ao inimigo. É por isso que não me foi dado conduzir meu povo à vitória. O Estado-Maior do exército não era comparável ao da I Grande Guerra. Seus altos feitos ficam bem longe dos que foram cumpridos na frente de batalha…

Nesta guerra, os esforços e sacrifícios do povo alemão tem sido tão grandes que não posso crer que hajam sido inúteis. O objetivo deve continuar a ser a conquista de espaços vitais ao Leste para o povo alemão.”

O maior medo de Hitler

Duce Benitto Mussolini e sua amante Clara Petacci, foram presos e mortos no dia 28 de abril de 1945. Depois de assassinados, seus corpos foram levados para Milão e pôr fim ficaram pendurados pelos pés numa bomba de gasolina da Praça Loreto, onde a massa desatinada cuspia, batia e os apedrejava.

Corpo de Mussolini exposto na praça

Impressionado com tal notícia, Hitler tomou as providências necessárias para seu próprio fim. Ele não queria ser exibido em um Zoológico de Moscou ou forçado a aparecer em um show encenado por judeus.

Heinz Linge, Erich Kempka e seu capitão-piloto Hans Bauer, foram incumbidos de fazer tudo que fosse necessário para por fim a todos os restos mortais de Hitler e Eva Braun. Seus corpos jamais poderiam cair nas mãos do inimigo.

Os últimos momentos

Hitler temia que o veneno escolhido não fosse eficaz ou de efeito rápido para provocar sua morte. Veio daí a ideia de testar o veneno em sua fiel escudeira, a cachorra Blondi. Por volta da meia noite, Blondi foi levada a um dos banheiros do bunker, onde o sargento Tornow, que cuidava do canil de Hitler, manteve a grade goela do animal aberta, enquanto o Prof. Haase, da equipe médica do quartel-general, com a ajuda de um conta-gotas dava-lhe uma ampola de veneno. Pouco depois, Hitler entrava no banheiro e lançava um olhar meio indiferente ao cadáver do animal. Imediatamente convidou os moradores dos dois bunkers vizinhos a virem lhe dar o último adeus na sala de reuniões. Com ar ausente, foi passando por todos ali enfileirados, estendendo a mão a cada um. Alguns deles pronunciaram breves palavras, mas Hitler não lhes respondia.

Hitler e Blondi

Os soviéticos estavam em Tiergarten e seus arredores, a Potsdamer Platz e todo ao lado da chancelaria do Reich, a estação de metro de Voss-Strasse. Então, ordenou que providenciasse duzentos litros de gasolina. Às 2 horas, fez uma refeição leve em companhia de suas secretarias e de sua médica-nutricionista. No fim da refeição, Hitler reuniu seus principais colaboradores, entre os quais estavam Goebbels, Bormann, os Generais Burgdorf e Krebs, suas secretarias, Christian e Junge e alguns ordenanças. Acompanhado por sua mulher, estendeu a mão a todos ali e então retirou-se em silencio de cabeça baixa.

Pouco tempo depois, se ouviu um tiro. O Gruppenführer SS Johann Rattenhuber junto com Otto Günschl, entram no aposento do casal. Hitler estava caído ao lado da esposa, o rosto ensanguentado, um revolver usado pouco antes sobre os joelhos. Eva se envenenara com cianureto.

Rattenhuber fez remover os dois corpos para o pátio. Ali, jogou toda a gasolina trazida para aquela situação. O ajudante-de-campo SS, Otto Günschl, lançou uma estopa inflamada sobre os dois corpos. Todos os presentes se colocaram em posição de sentido e os saudaram com o braço estendido.

Chegava ao fim a história de Adolf Hitler, o Führer do III Reich.


Bibliografia

Hitler, Joachim Fest

Eu fui guarda-costas de Hitler, Rochus Misch

Doze anos com Hitler, Christa Schroeder

Até o fim, Traudl Junge

No bunker de Hitler, Joachim Fest

O piloto de Hitler, a vida e a época de Hans Baur, C. G. Sweeting

 

Biro

Um autodidata apaixonado por Leonardo da Vinci, Boeing 737, Segunda guerra mundial, Carl Sagan e principalmente pela vida.

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